A violência de gênero facilitada por tecnologia tem afetado milhares de mulheres e meninas ao redor do mundo, inclusive no Brasil. A ONU Mulheres indica que, apesar da grave falta de dados sobre o tema, essa violência também restringe a participação de mulheres e meninas na Internet e na esfera pública.

Em 2022, todos os tipos de violência contra a mulher aumentaram no Brasil, de acordo com o 17º Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Uma das manifestações desse fenômeno é a perseguição (ou stalking), que tem sido facilitada pelas tecnologias, seja por meio de stalkerware, airtags ou até mesmo de recursos de localização de dispositivos.

Apesar da ausência parcial de dados em alguns Estados, no Brasil, o número de casos de perseguição cresceu de 31.189 em 2021 para 56.560 em 2022, um aumento de cerca de 80%. Ainda no anuário, pesquisadores apontam que “a perseguição é um fator de risco para a ocorrência de feminicídios” e que “a tecnologia facilita o controle e a violência onipresente contra a mulher”.

Esse tipo de perseguição também facilita várias formas de violência, como doxxing e a disseminação de materiais de exploração sexual, além de representar uma violação da privacidade e da cibersegurança.

Recentemente, o coletivo DDOSecrets vazou dados de três empresas que fornecem softwares espiões. Uma dessas empresas, a WebDetective, é brasileira e monitorava 76 mil celulares, inclusive dados de aplicativos de mensagens com criptografia de ponta a ponta, segundo avaliação de Lucas Lago, do Instituto Aaron Swartz.

Além disso, esses dispositivos têm sua segurança enfraquecida por esses aplicativos. A falta de dados sobre o uso da tecnologia na perseguição baseada em gênero agrava ainda mais o problema. Por isso, entendemos que gerar conhecimento e conscientização sobre o uso de tecnologias na perseguição é importante para aprimorar as políticas públicas de proteção a meninas e mulheres, combater práticas nocivas da indústria e promover mais autocuidado digital.

Com apoio da Embaixada Britânica, o projeto Expondo Stalker(ware) foi desenvolvido com objetivo de atuar em pesquisa, advocacy e comunicação sobre o tema das tecnologias que facilitam a violência de gênero.

Mais especificamente, o projeto aborda a disponibilidade, o uso e os impactos de stalkerware e de funcionalidades que podem ser ou estão sendo utilizadas para perseguição baseada em gênero, além de analisar as ferramentas existentes no mercado mundial e seu grau de difusão no mercado brasileiro.

Em paralelo, buscamos diagnosticar e suprir as lacunas de informação identificadas pela ONU sobre o tema.

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