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Inovação para quem? Os custos socioambientais da IA no Nordeste
A partir do avanço das tecnologias de Inteligência Artificial e do crescimento de implementações de data centers em diferentes territórios, os debates sobre os impactos ambientais associados à infraestrutura têm ganhado mais relevância. No entanto, apesar dos conhecimentos sobre esses efeitos e problemáticas estarem mais esclarecidos e difundidos, há ainda uma escassez de informações e estudos que tragam um recorte socioambiental que leve em conta aspectos territoriais, bem como os tipos de modelos de IA e suas particularidades. Quando falamos do Nordeste brasileiro, região que está se projetando como um polo de data center no país, essa ausência de pesquisa contribui para a estrutura de opacidade ambiental, isto é, oculta as consequências atreladas ao funcionamento dos grandes empreendimentos da IA.
O relatório Inovação para quem? Os impactos socioambientais da IA no Nordeste, desenvolvido pelo Instituto de Pesquisa em Direito e Tecnologia do Recife (IP.rec), faz um levantamento e uma análise crítica sobre as lacunas na produção científica sobre o assunto. A pesquisa destrincha, ainda, os diferentes modelos de IA, com o objetivo de compreender não só os impactos ambientais desencadeados pelas infraestruturas de IA, mas também analisar as diferentes etapas do ciclo de vida das estruturas, desde o seu desenvolvimento e treinamento até o uso. A finalidade é destacar as alternativas de otimização de capacidade operacional dos equipamentos, a fim de reduzir impactos socioambientais causados pelas grandes estruturas.
A partir do relatório, o IP.rec evidencia a importância de investimentos na produção científica tanto sobre as possibilidades de aperfeiçoamento das estruturas, como sobre as especificidades de cada território frente ao avanço da IA. A pesquisa destaca a ligação entre a deficiência da produção científica e a construção de políticas públicas baseadas em evidências, afinal, não é possível promover a inovação sem o conhecimento que garanta a sustentabilidade e a proteção dos direitos ambientais e sociais de quem está na linha de frente dos efeitos desse desenvolvimento.
Boa leitura.